Fevereiro sem celular: Utilizando um equipamento analógico
Utilizando um equipamento analógico
A cada ano surgem novos eletrônicos equipados com telas. A última ideia da indústria foi a geladeira com tela, algo que aparentemente tem feito bastante sucesso. Também se tornaram comuns os porta-retratos digitais, que exibem fotos em forma de slides, e dispositivos como a Alexa com tela integrada.
Uma das grandes facilidades do nosso tempo é não precisar mais trocar o lado da fita ou do disco, nem levantar para mudar o CD. É possível ouvir muitas músicas seguidas sem interrupção. Não sou tão velha, mas isso fazia parte da minha infância. Lembro de ligar para a rádio para pedir uma música. O locutor avisava que era a vez dos ouvintes, eu ligava e fazia o pedido. Se a rádio tivesse o CD do artista, a música tocava. Para isso, era necessário manter fisicamente aquele acervo no estúdio, com prateleiras cheias de CDs.
Hoje, a mídia física não é mais necessária. Nem ao menos ocupar espaço no seu HD do computador com mp3 você precisa mais. Basta ter um app de streaming de músicas e estará tudo lá, qualquer música já feita no mundo, em qualquer época. Um grande avanço do conhecimento humano.
Essa facilidade, no entanto, também alterou a forma como nos relacionamos com a música. Quando tanta disponibilidade, ouvir deixa de ser um evento em si. A música passa a ocupar o lugar de fundo sonoro, acompanhando outras atividades. Ela toca enquanto estudamos, lavamos a louça, abrimos uma caixa da Amazon, ouvimos áudios no WhatsApp, dirigimos ou fazemos exercício físico.
Fico me perguntando quando foi a última vez que parei para ouvir um álbum inteiro, sem fazer outra coisa ao mesmo tempo. Imagino que não seja só comigo. Talvez por isso muitos artistas tenham passado a lançar menos álbuns completos e mais singles ou EPs, acompanhando uma escuta mais fragmentada.
Aqui em casa, tenho um equipamento analógico para ouvir música, e isso ainda me parece algo quase mágico. É difícil compreender como alguém teve a ideia de transformar ondas sonoras em sulcos físicos num disco, ou como um som pode ser convertido em algo mecânico. Já assisti a vídeos sobre o processo de fabricação de vinil e, mesmo assim, continuo achando impressionante que essa ideia tenha sido concebida.
Talvez o que me encante não seja apenas o som, mas a experiência envolvida. Escolher o disco, retirá-lo da capa, segurá-lo com cuidado, posicioná-lo e ouvir o pequeno ruído antes da música começar exigem um tipo de presença que quase não existe nas experiências digitais. E a agulha tem que estar boa.
Minha proposta hoje é simples: usar algum equipamento analógico. Caso você não tenha um toca-discos, pode ser outro objeto: um calendário de parede, um relógio analógico, uma ampulheta, um caderno, uma câmera, um gravador, um instrumento musical, uma cafeteira italiana, um livro de receitas físico, materiais de pintura ou desenho, um incenso. Qualquer coisa que exija gesto, tempo e um pouco de atenção.
Você ainda tem algo assim por perto ou já foi completamente absorvido pelo digital?
O bom de coisas analógicas, é que geralmente são mais baratas que as digitais.
ps: o gato é apenas o modelo da foto, não o assunto principal.
fica bem <3


